Sustentando
Quem trabalha nas ruas, e sem olhar para o céu não vê quem esta acima, contenta-se em ser subclasse, cidadão comum que vive a olhar para o chão, acostumando-se a andar de cabeça baixa, carregando o mundo nas costas, sem nem imaginar quem os pisa (talvez por isto fiquem com tanta dor na coluna), cabisbaixo se esconde do sol, vivendo nas trevas sem enxergar a luz que poderá abrir sua mente. Nem percebe que sempre terá alguém o observando, vigiando, espreitando sua conduta.
Certo dia eu estava no primeiro andar de um prédio antigo, centro do poder local e que deveríamos prestar maior atenção, e nem era um arranha céu, a pouco mais de 4,5m de pé direito, e da altura da janela estava encostado na sacada, vi alguns colegas meus passarem e não me verem. Percebi então que não olhavam para cima de si, até mesmo quando chamei pelos nomes de alguns. Certamente não ouviram ou não acreditaram que alguém do alto os chamasse.
Será que estamos deixando de ouvir o que vem do alto? Aqueles que estão acima de nós, que vivem sobre nossas cabeças (apoiados em nossas costas)?Desaprendemos a levantar a cabeça e a dignidade? Vamos permanecer cabisbaixos, para envelhecermos corcunda, badameiros da vida, procurando abaixo de nós o lixo de quem nos oprime?
Faz parecer que a expressão “subir na vida nem que seja de elevador” e mesmo assim só o de serviço, tem mais algum sentido do que parece, pois geralmente quem ganha mais, trabalhando menos e ocupando os melhores lugares na sociedade, moram em prédios ou edifícios, e o pobre no alto, só no morro ou em cima de um andaime, arriscando-se para sobreviver. É quando o pobre à noite, cansado, observa a cidade iluminada pelos postes que eles levantaram para iluminar o chão que se habituaram a olhar, sem erguer a visão para as mensagens que vêm do alto, através das faixas e outdoors, nos desenhos das nuvens ou das estrelas que brilham democráticas.
D. AlEaTóRiO
Falando de lado e olhando pro chão."




Leia este blog no seu celular