Blog de O GRITO M. L.


24/01/2008


O GRITO OUTUBRO/NOVEMBRO 2007

Sustentando

Quem trabalha nas ruas, e sem olhar para o céu não vê quem esta acima, contenta-se em ser subclasse, cidadão comum que vive a olhar para o chão, acostumando-se a andar de cabeça baixa, carregando o mundo nas costas, sem nem imaginar quem os pisa (talvez por isto fiquem com tanta dor na coluna), cabisbaixo se esconde do sol, vivendo nas trevas sem enxergar a luz que poderá abrir sua mente. Nem percebe que sempre terá alguém o observando, vigiando, espreitando sua conduta.

Certo dia eu estava no primeiro andar de um prédio antigo, centro do poder local e que deveríamos prestar maior atenção, e nem era um arranha céu, a pouco mais de 4,5m de pé direito, e da altura da janela  estava encostado na sacada, vi alguns colegas meus passarem e não me verem. Percebi então que não olhavam para cima de si, até mesmo quando chamei pelos nomes de alguns. Certamente não ouviram ou não acreditaram que alguém do alto os chamasse.

 Será que estamos deixando de ouvir o que vem do alto? Aqueles que estão acima de nós, que vivem sobre nossas cabeças (apoiados em nossas costas)?Desaprendemos a levantar a cabeça e a dignidade? Vamos permanecer cabisbaixos, para envelhecermos corcunda, badameiros da vida, procurando abaixo de nós o lixo de quem nos oprime?

Faz parecer que a expressão “subir na vida nem que seja de elevador” e mesmo assim só o de serviço, tem mais algum sentido do que parece, pois geralmente quem ganha mais, trabalhando menos e ocupando os melhores lugares na sociedade, moram em prédios ou edifícios, e o pobre no alto, só no morro ou em cima de um andaime, arriscando-se para sobreviver. É quando o pobre à noite, cansado, observa a cidade iluminada pelos postes que eles levantaram para iluminar o chão que se habituaram a olhar, sem erguer a visão para as mensagens que vêm do alto, através das faixas e outdoors, nos desenhos das nuvens ou das estrelas que brilham democráticas.

D. AlEaTóRiO

 “Os ricos tudo farão pelos pobres, menos descer de suas costas” Leon Tolstói

 

"A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão."

Chico Buarque

Escrito por D.AlEaTóRiO às 14h49
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Continuação de Out/Nov07

“Sete de Setembro, eis que desfila um dos aparatos que condenam o povo a submissão” (Militares; Respaldo do Estado.)

   Este manifesto é dirigido a todo o povo, que é escravizado e que vive sob pressão para tentar despertar a todos contra a tirania do Estado. Dia a dia a indústria bélica cresce, são colocados mais policiais nas ruas, o exército se fortalece, jovens são treinados para matarem seres humanos e transformados em verdadeiros monstros. Todo esse aparato é para manter sob controle, para calar os gritos de miséria, assegurar a existência do Estado, e gerar guerras, nas quais o povo serve de “bucha de canhões” e para defender os interesses das classes dominantes.

   Porque matar outro ser humano como você que também sente dor, e está submetido à mesma tirania e condenado ao mesmo fim? Reflita!!! Os nossos inimigos são aqueles que vivem às nossas custas, que governam nossas vidas, e que levantam fronteiras para separar a humanidade.

   O Estado corrupto é a violência, pois é ele quem mantém viva a indústria da morte, mantida pelos impostos arrancados do suor do proletariado. Trabalhadores, não podemos cruzar os braços e deixar que os farsantes nos escravizem com o serviço militar. Jovem, não mate e nem morra pelos exploradores. “Não se aliste!!!

M.A.S.

Escrito por D.AlEaTóRiO às 14h45
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A greve estudantil tem que continuar?

Muitos podem estar se perguntando por que continuar a greve, mas alguns de nós talvez não saibamos que motivos levaram a essa decisão radical e inédita no CEFET-BA UESA. Há muito tempo a Direção tem sido alertada a respeito dos problemas estruturais e humanos que afligem a Unidade de Santo Amaro. A mesma tem se mostrado totalmente indiferente aos alertas feitos por professores e alunos. Nas últimas semanas, como é sabido, iniciamos a greve. A Direção tentou negociar o término da greve, com promessas de um período de parada em novembro para reavaliar a qualidade dos cursos do UESA. Mas que qualidade? Sem livros, sem ferramentas, sem internet, apenas sendo levada pela boa vontade e sacrifício dos professores? Essa é a triste realidade. Muito tem sido dito pela mesma sobre uma parceria com a prefeitura, sendo que uma carta de intenções ou documento oficial nunca nos foi apresentado.
O discurso pouco objetivo continua depois de ter ousado sugerir o trancamento total de um semestre dos alunos de Eletromecânica. Após essa desesperada sugestão, propõe aos estudantes e professores um quinto semestre, sem comprovadamente, realizar esforços para aparelhar a instituição. Seremos enrolados até quando? Por seis semestres?
O desrespeito tornou-se tão absurdo que nem mesmo na audiência pública marcada pela Diretoria Geral (D.G.) no dia 11 de outubro na Câmara de Vereadores foi levada a sério. Em momento algum deram respostas concretas às nossas reivindicações, nem mesmo tivemos a presença da D.G. Aurina Santana (que comunicou não ter comparecido por problemas de saúde). E até o momento não temos perspectivas de marcar uma nova reunião para discutir o assunto, o que demonstra a situação de abandono em que nos encontramos. Infelizmente as perguntas direcionadas à nossa Direção eram tomadas abruptamente pela bancada representativa da Sede os Srs. Albertino Nascimento (Diretor de Desenvolvimento de Ensino) e Renato Anunciação (Coordenador da Coordenação Geral de Planejamento). Ambos afirmaram que a importância está na teoria,
Ambos afirmaram que a importância está na teoria, e que a prática se adquire dentro das empresas (no estágio). Será que alguma empresa quer um profissional desqualificado?
Até quando vamos ficar parados esperando respostas que nunca aparecem?
No mural encontrarão a resposta da Diretoria desta UESA à pauta de reivindicações, onde verão de fato algumas das propostas feitas pela Direção.
Em prol de transparências públicas.
Pela autonomia do movimento estudantil e garantia dos direitos constitucionais
Por uma educação pública gratuita, igualitária e de qualidade.

A GREVE DEVE CONTINUAR.

Escrito por D.AlEaTóRiO às 14h39
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  Carta Aberta Ao "Movimento" Cansei"  

                                                                                             De:Ediney Santana

Diz o esdrúxulo texto: "campanha do Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros - Cansei"
Direitos de todos Brasileiros? Que Brasileiros? Os que ficaram calados durante o regime militar enquanto centenas de pessoas foram presas, torturadas e mortas? Os que dos sofás dos seus sub programas de Tvs fazem entrevistas vazias, ridículas que nada contribuem para a informação ou cultura no país? Os que ganham muito dinheiro fingindo ser atores e atrizes interpretando papeis ridículos em novelas tão vazias quanto suas vidas de nada? O que assim como os cretinos da jovem guarda se calaram ante as reais mazelas do país? Vocês não representam o povo Brasileiro.vocês representam a si mesmos, com suas indignações fajutas. O que vocês querem é que a balança social fique sempre do lado de vocês.
São os mesmos que com o discurso de : Viva Deus, pátria e família apoiaram toda a arrogância dos sensores militares.
Não, não faço parte do brasil de vocês e nem quero fazer. O que essa podre elite burguesa paulistana não suporta é que o Brasil não vive mais sobre a sua perversa influência.Quem não lembra daquela atriz global na última eleição fingindo pânico, medo na perspectiva da re-eleição do presidente Lula? O que a tal namoradinha do brasil não sabia que a farsa e a mediocridade não tem mais efeito para o povo desde país, o que ela e suas parceiras ainda não perceberam é que ninguém vai sair comprando um secador porque a loira cega fez a propaganda em seu sofá de estrelas apagadas.
O povo desde país, o povo que sempre sofreu, sempre ficou abandonado, sempre foi humilhado não vai cair neste golpe sujo armado pelas elites tacanhas e mesquinhas deste país .O nosso povo não precisa de vocês, nosso povo não precisa de modelos de laboratório, nosso povo tem capacidade própria de qualquer reação.
Esse movimento Cansei representa tudo que há de Ruim na nossa sociedade, representa o conservadorismo político e cultura, a truculência dos intelectuais de barriga cheia.
Cuidado o demônio se veste de solidário, mas o que ele quer mesmo e nos roubar, nos violentar, quebrar nossa dignidade.
Dizem que você não sabe votar. E sabe por que dizem isso? Porque querem tirar o seu direito de voto. Querem tirar o direito de expressão, querem eles serem senhores e senhoras do destino da nação.
Sabem de quem eles cansaram? De você de mim.
Eles querem é nos humilhar. Para essa corja o problema da violência somos nós os favelados os pobres. Por isso apóiam as ações violentas das Rotas e choques.vejam o que acontece no Rio de Janeiro. Por que não dizem que cansaram da violência policial? Porque não são seus filhos que morrem de balas perdidas nas favelas, porque não são seus filhos que são confundidos com bandidos e mortos.
Casados estamos nós. Reagir, lutar e não se calar.

Escrito por D.AlEaTóRiO às 14h27
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cont. de out/nov

FANTASMAS


No ensurdecedor silêncio das noites insones, só os meus fantasmas preenchem o vazio da quase solidão. Eles passaram uma temporada afastados e agora voltaram a me fazer companhia madrugada a dentro. Gosto dos que conversam comigo; divirto-me com os que dançam pela casa; mas, não há como negar, sinto uma certa antipatia pelos que permanecem quietos, silentes, com os olhos fixos em mim. Sei que não me farão qualquer mal, mas há muito não gosto mais do velho jogo de “pegar sério”. Muitas vezes ignoro-os e fico a dialogar com os que falam, ou a bailar com os que dançam. No entanto, quando os olhares estáticos incomodam demais, fito-os com a determinação dos famintos e entro no jogo para vencer.
Às vezes são horas sem piscar, olhando através daqueles olhos que me mostram a minha trajetória. Coisas que me alegram e que, também, me entristecem! Mas sei que é tudo para me distrair, para me trair, me fazer sorrir ou piscar. Não pisco! Lamento apenas por perder a companhia dos falantes e dos dançantes que, sem a minha atenção, se vão! Ao contrário desses jogadores impassíveis, que quanto menos atenção, mais permanecem!
E o jogo continua até a exaustão da noite, que se recolhe e dá lugar a mais um dia. Neste instante, eles param o jogo sem pedir licença e também se vão. Aí, não sei bem se por ter ficado tanto tempo sem piscar; se por tudo que me foi mostrado; as lágrimas brotam involuntárias e me lembram que, lá fora, há outro dia a percorrer, com sua rotina, suas regras, seus minutos invariáveis.
E eu, obedientemente, atendo ao que as lágrimas me dizem. Lavo o rosto, tomo banho, visto-me e abro a porta da rua. Lá fora, olho as pessoas que também saem de suas casas e sigo, imaginando se os seus fantasmas também as visitam nas madrugadas insones ou se escondem, perversos, no fundo dos seus corações!

Escrito por D.AlEaTóRiO às 13h51
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